Nesta newsletter, analisamos a publicação Employment and Social Trends 2026, da Organização Internacional do Trabalho (OIT)[1] para apontar as principais tendências de emprego, produtividade e comércio internacional previstas para 2026, com foco no eixo Brasil–Europa.
A seguir, veremos como mudanças demográficas, reorganização das cadeias produtivas e reconfiguração dos fluxos comerciais podem impactar a qualidade do emprego, a competitividade empresarial e a gestão trabalhista em operações que conectam esses dois mercados.
Produtividade, comércio internacional e competitividade
Segundo o relatório da OIT, a transição de trabalhadores para setores mais produtivos e formais perdeu ritmo nas últimas décadas, o que limita o crescimento da renda e a competitividade das economias. Em 2026, a produtividade global deverá crescer cerca de 2,0%, ritmo estável, porém insuficiente para compensar fragilidades estruturais em diversas regiões (OIT, 2026, p. 18).
Ao mesmo tempo, setores integrados ao comércio internacional tendem a apresentar melhores indicadores de formalidade e remuneração, especialmente em países de renda média como o Brasil (OIT, 2026, p. 51).
Isso significa que, para empresas que operam entre Europa e Brasil, investimentos em qualificação profissional, eficiência operacional e conformidade legal deixam de ser apenas medidas internas e passam a influenciar diretamente o posicionamento competitivo.
Demografia, produtividade e integração no eixo Europa–Brasil
A Europa enfrenta envelhecimento populacional e crescimento limitado do emprego, fatores que podem comprometer produtividade e inovação no médio prazo (OIT, 2026, p 43). Esse contexto tende a ampliar a busca por oportunidades de reconfiguração de cadeias produtivas em outros mercados.
Na América Latina, por sua vez, o emprego cresce, mas com desafios persistentes de informalidade e baixa produtividade, o que limita a conversão do potencial demográfico em crescimento sustentável (OIT, 2026, p. 30).
Para empresas que operam entre Europa e Brasil, o cenário é complementar: a escassez relativa de mão de obra na Europa e a disponibilidade demográfica na América Latina reforçam a importância de integração produtiva, qualificação profissional e governança trabalhista consistente nas cadeias globais.
Acordos comerciais e padrões trabalhistas: o papel do UE–Mercosul
No contexto analisado, o Acordo de Associação União Europeia–Mercosul[2], ao promover o intercâmbio de bens e serviços e estabelecer mecanismos de cooperação em áreas estratégicas, pode contribuir para ganhos em emprego e produtividade dos países membros dos blocos econômicos.
Embora o acordo não unifique as leis trabalhistas dos países envolvidos, ele tende a elevar as expectativas regulatórias sobre as empresas que atuam entre os dois blocos, especialmente quanto à gestão de suas cadeias produtivas e ao cumprimento de padrões internacionais de trabalho. Para as empresas do eixo Europa-Brasil, isso implica fortalecer o compliance trabalhista e revisar políticas internas para garantir alinhamento com os compromissos assumidos no acordo.
2026 já começou: estratégias trabalhistas e de produtividade para agora
Diante das tendências apontadas, algumas frentes de atuação são imediatas para empresas que operam entre Europa e Brasil:
- Mapear exposição trabalhista nas cadeias globais
Revisar contratos de trabalho, terceirização e fornecimento para identificar riscos relacionados à informalidade, às condições de trabalho e ao cumprimento de normas internacionais, com o objetivo de mitigar passivos trabalhistas indiretos e reduzir impactos reputacionais. - Integrar produtividade e estratégia trabalhista
Reavaliar cargos e funções, jornadas e modelos de prestação de serviços com apoio jurídico. Mudanças voltadas a ganhos de produtividade devem ser conduzidas de forma coordenada entre operações, RH e Jurídico, pois reestruturações mal planejadas podem gerar litígios e autuações trabalhistas. - Antecipar impactos demográficos na Europa
Planejar a requalificação de trabalhadores mais experientes e investir na qualificação de trabalhadores mais novos diante da possível escassez de mão de obra, evitando que a ausência de planejamento sobre a organização do trabalho comprometa a competitividade. - Reforçar compliance e governança social no Brasil
Intensificar auditorias internas e o monitoramento de práticas, especialmente em operações vinculadas a grupos europeus. A medida reduz o risco de desalinhamento entre práticas locais e padrões exigidos por parceiros comerciais internacionais.
Apoio estratégico para operações no eixo Europa–Brasil
O cenário de 2026 exige antecipação, pois a forma como produtividade, qualificação e padrões trabalhistas forem tratados pelas empresas será decisiva para a sustentabilidade dos negócios nos próximos anos.
Nossa equipe acompanha de forma contínua os desdobramentos regulatórios, trabalhistas e de compliance associados ao comércio internacional e aos acordos regionais, como o UE–Mercosul. Entre em contato conosco para avaliar riscos, oportunidades e estratégias em emprego e produtividade no eixo Europa–Brasil.
[1] Disponível em: Employment and Social Trends 2026 | International Labour Organization.
[2] Disponível em Acordo de Parceria entre Mercosul e União Europeia — Siscomex.
Priscila Márcia da Silva Santos é advogada no Pacheco Neto Sanden Teisseire Advogados.
Luccas Miranda Machado de Melo Mendonça é advogado no Pacheco Neto Sanden Teisseire Advogados.


